Sunday, August 12, 2001

UMA CASA SAGAPONICA-POR THOMAS PHIFER AND PARTNERS



Uma vez ouvi uma amiga arquiteta dizendo que a arquitetura, para acontecer, tem que ser construída, sair do papel.
Bom...acredito que arquitetura é, antes de tudo, idéia. A partir do momento que a idéia se define em traços, cotas, vistas e perspectivas, ela já foi construída. O resto é materialização.
Na Architectural Record projects, tem um capítulo que é exclusivo para projetos não-construídos, mas que, por seu conceito inovador, são objetos de estudo.
Dando uma olhada por lá, descobri essa casa, do arquiteto Thomas Phifer, que rompe, principalmente, com um conceito básico de sobrevivência: a privacidade.
Para ele, trata-se apenas de um lugar onde a contemplação é levada ao extremo, sendo possível, inclusive, acompanhar todas as mudanças do movimento do sol durante o ano. Estruturalmente, a casa é formada por lâminas de vidro ( deve ser o mesmo usado nos aquários por aí...) e o único espaço `protegido`, vai de encontro ao radicalismo anti-privacidade do projeto: o quarto subterrâneo, sem janelas.
Não imagino muita gente querendo morar num lugar assim, mas a importância de se estudar e desenvolver um projeto assim não é uma atitude isolada. Há muito tempo a questão do uso da transparência como elemento estrutural já vem sendo discutida. Em recente publicação da revista Metropolis, entitulada “What if you could see through walls?”, o arquiteto e estudioso Bill Price mostra que já é possível se criar o concreto translúcido ou a chamada X-Ray architecture – arquitetura do raio x. Segundo o arquiteto, sua intenção não é resolver um problema estrutural específico, mas sim desenvolver um novo material e ver o que as pessoas farão com ele.
Acho que o uso desse tipo de tecnologia irá sim, num primeiro momento, resolver alguns problemas estruturais e, ao mesmo tempo, permitir o mais básico dos seus usos, que é a própria transparência como elemento de iluminação natural. Uma coisa tipo “tijolo de vidro de última geração”. Fico imaginando se o Palácio da Abolição fosse alvo desse tipo de tecnologia. Maravilha, não??? Uma protensão transparente.
O futuro, amigos, a Deus pertence.

Saturday, August 11, 2001

Zaha Hadid – The Mind Zone



Sempre que vejo algum projeto da Zaha, me lembro de um episódio que aconteceu comigo, quando ainda era universitário. Ao indagar um professor sobre o tipo de trabalho que alguns arquitetos faziam, como a Zaha, Frank Gehry ou Peter Eisenmann, recebi uma resposta curta e seca: “Eles não fazem arquitetura”.
Ok. Querido professor ( Aliás, fiquei sabendo que o mesmo irá participar de um evento de decoração, com o ambiente “Cantinho do Padre Cícero”. Tá brincando, né? ). Hoje te entendo. Mas pra piorar a situação, aquilo que você escarrou, hoje idolatro. Estamos quites.
A Zaha, assim como a Bjork, enquadro na categoria de gênio. Algo que gostaria de ter me tornado. Desde cedo, ainda na universidade, começou a desenvolver um conceito extremamente particular de arquitetura. Fervorosa apreciadora do modernismo, criou o que ela chama de “arquitetura do espaço anti-gravitacional explodido”. Em seus primeiros desenhos, o mundo parece explodir em grandes lâminas lançadas ao espaço. Ao longo dos quase 30 anos de carreira, Zaha aperfeiçou sua teoria, e hoje é reconhecida como uma das grandes mentes conceituais da arquitetura mundial, sendo vencedora de muitos dos principais concursos internacionais de idéias.
Esse projetinho que eu separei aqui no blog, trata-se de uma construção feita por ela para o Millenium Dome ( aquela estrutura tencionada, eregida para comemorar a passagem do milênio, em Londres ). Reservo especial atenção à esse projeto por causa de sua curta existência, e principalmente pelas críticas recebidas. Para muitos, a presença de Zaha Hadid no Domo do milênio não condizia com o ambiente ‘popular’ e festivo para o qual o domo foi criado. Ela vai além disso. Sua arquitetura incomoda porque nega a própria gravidade, e seus volumes, estranhos aos olhos dos leigos, são inegavelmente fortes.
Ok....Ok...sou um fã. Qualquer opinião que eu dê já é suspeita. Prefiro me calar. Aliás, diante desses projetos, eu sempre me calo.